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Jogos de Poder na Relação de Casal

Numa relação segura, ambos os membros do casal sentem que exercem influência sobre a relação e sobre as decisões. Ambos se sentem empoderados e valorizados enquanto individuos. Nenhuma relação em que um dos membros sente que não tem influência, que não é escutado ou visto, pode trazer segurança ou conexão.



A maioria dos casais que encontro em terapia de casal assume que manter algum grau de influência na relação é um fator importante para o seu conceito de relação ideal. Contudo, na maioria dos casais, um dos seus membros apresenta alguma queixa neste campo; uns reclamam mais poder de influência, outros reclamam a necessidade de que os parceiros participem mais nas decisões, outros ainda, apesar de reconhecerem que assumem muitas decisões na família, também acham que não são escutados em algumas dos assuntos que consideram importantes.


Afinal qual o é equilíbrio de influência necessário para a relação? Como se ganhar poder sem controlar a relação? Como se aceita influência sem perder autonomia?


Estudos do Gottman Institute mostram “que os homens que aceitam a influência das suas parceiras tendem a ter relacionamentos mais felizes e satisfatórios. É importante que as mulheres também aceitem a influência, mas a pesquisa mostrou que a maioria das mulheres já faz isso. Paradoxalmente, o que a pesquisa também mostrou foi que quanto mais influência um parceiro estava disposto a aceitar, mais influente era esse parceiro no relacionamento em geral”

Apesar deste estudo ser relativo a populações americanas, a minha experiência da prática clínica confirma estes resultados.

Frequentemente nas consultas um parceiro tende a responder ao outro: “pronto, é como tu quiseres”. Aceitar a influência de um parceiro não significa concordar ou simplesmente ceder ao outro, pelo contrário, significa estar aberto e interessado nas ideias do outro, compreender as suas razões, valorizar e respeitar as suas opiniões e os seus sentimentos. Esta escuta do outro possibilita o reconhecimento de que a opinião dele/a é válida mesmo que não concorde. É uma forma de dizer: “eu escuto-te, a tua opinião é importante para mim porque tu és importante”.

Outras vezes, há uma tendência imediata para discordar ou contrariar, como se se tratasse de uma luta de poder, ou de uma batalha de quem é que tem razão. São pessoas que sentem a necessidade de controlar a conversa ou a relação como forma de assegurar a sua posição na relação. Esta postura tem os seus motivos compreensíveis, mas normalmente estes motivos são difíceis de aceitar pelo parceiro, que acaba por se sentir sufocado e desvalorizado por estar frequentemente a lidar com o confronto direto.

Outas vezes ainda, há pessoas com uma tendência mais passiva que preferem deixar as decisões ao encargo do outro/a, causando frequentemente a sua sobrecarga e levando-o, eventualmente, a reagir, reclamando mais colaboração e envolvimento nas decisões.


Como equilibrar o poder de influência na relação?


1. Se o/a seu/sua parceiro/a está a reclamar mais influência, é porque está a precisar dela. Não adianta argumentar que não há razões para isso, que não é essa a sua intenção. Na verdade, responder em modo de defesa apenas mostra onde está o seu foco: em si. É exatamente esse foco em si e nas suas posições que “mata” a conversa e que não deixa espaço para o seu par se manifestar e ser escutado/a. Se o seu par sente que não tem poder de influência na relação, não é relevante se você lho está a negar intencional ou inconscientemente, aquilo que é relevante é que você não está a respeitar a necessidade dele/a de se exprimir. A única coisa que pode funcionar bem, em termos de comunicação eficaz, é perceber que você tem o poder de o/a ajudar a não se sentir dessa forma. Esta é a forma construtiva de ganhar poder de influência na relação.


2. Aceitar a influencia do outro requer não atacar, não criticar, não evitar ou retirar-se do assunto e não assumir uma atitude defensiva ou de contra-ataque. Isto não significa anular-se ou minimizar-se a si próprio, significa apenas dar importância à posição e opinião do seu parceiro/a de vida. É permitir-se sair da posição de “EU” para uma posição de “NÓS”, que significa que “eu” não sou teu adversário, competindo pela razão, mas sim, “nós” somos parceiros da mesma equipa, cuidando da segurança e da conexão da relação.


3. Escute o outro com genuíno interesse e curiosidade pelo seu ponto de vista. Faça perguntas para aprofundar e complementar a informação. Descubra as motivações do outro. Afinal a ideia dele/a até pode ser melhor que a sua! Esta é a sua forma de o/a respeitar como pessoa e como parceiro/a.


4. Procure formas de concordar, de criar pontes, de pontos em comum. Perceba a importância do assunto para o outro. É possível ceder um pouco na sua posição? É possível encontrar uma solução que satisfaça as duas partes?



Quando ambos os parceiros têm a possibilidade de ter influência e aceitam a influência do outro constroem relações íntimas mais felizes. Ao permitirem-se escutar e aceitar a opinião do outro, criam um padrão de influência respeitosa, em que ambos os parceiros se sentem valorizados. Nestas condições, ambas as partes ganham influência e sentem maior conexão.



E você? sente que tem poder de influência e que aceita a influência do seu parceiro/a?

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